TERRA DE CÉU

TERRA DE CÉU

(Para iniciados e iniciandos, letras mortas para profanos)

A guerra, no céu, entre os entes celestiais Lúcifer e Miguel, vencida por este, e aquele perdedor sendo precipitado, juntamente com um terço de outros anjos, para a terra do mundo recém-criado mediante fiats por Deus, a guerra, no céu – começávamos assim dizendo – transplantou-se para esta mesma terra originariamente bendita, porém amaldiçoada, em consequência, quer pela só presença do mal precipitado nela e para ela, quer pela desobediência humana, continuando ela (a guerra) mais intrincada ainda aqui, na terra, perante o também celestial Eu em meu mim e perante o Eu celestial em teu ti, leitor, leitora, entre, agora, o Cristo (mesmo que Miguel) e, também o agora não mais Lúcifer, mas diabo, satanás, coisa ruim etc.; a guerra, a despeito de o Cristo, Filho Amado de Deus, numa trajetória de humanidade de uma carne, durante três anos apenas, ter vencido o mundo mal, não a ponto de exterminá-lo, mas, sim, de prendê-lo por um milênio. Esse Filho foi (e continua sendo) no Eu encarnado num famoso nazareno chamado Jesus, suplantando tentações, baseando-se, para tanto, exclusivamente, na palavra sagrada escrita (como já dito) e prosseguindo, pelo lado de carne, em humanidade, num público ministério maravilhoso, salvador, até brutal desfecho de desumanidade. Mas certo é que o Eu, Nele, permanece, infinito, eterno, livre de influências de desumanidade, até final escatológico. E como assim a exclusiva vontade divina o quis e o fez para o Eu, Nele, bem certo é que já o fez, igualmente, para o Eu no meu mim, pouco importando que o mal nele mim encarnado siga, ou não, confissões religiosas, quaisquer que sejam elas. Então, aquele mal preso perante o Eu no si Dele é tanto quanto também preso perante o Eu no meu mim e no de todos os homens e mulheres de todos os tempos, indistintamente, sem exceção, e de graça! E a guerra, enfim, não há como prosperar, mesmo que a desumanidade consiga abrir ao mal suas portas de prisões, haja vista vivermos já uma terra de céu.