PODER DE DEUS, PODER DE LÙCIFER

PODER DE DEUS, PODER DE LÚCIFER

(Para iniciados e iniciandos, letras mortas para profanos)

Qual Deus passeava na viração da tarde, no Éden (Gênesis, 3, 8), quando, caídos, Adão e Eva procuravam se esconder daquele Deus? Esse Deus seria o Senhor, “aquele que tudo pode”? Sim. E “aquele que tudo pode” e que é Senhor é o que fez a promessa, logo em seguida à queda do mencionado casal (Gênesis, 3, 15): “porei inimizade entre a mulher e a serpente; esta e sua descendência ferirão calcanhares; aquela e sua descendência ferirão a cabeça de quem só pode ferir calcanhares”. Já aquele Deus, não como “Senhor que tudo pode”, mas enquanto com caráter de zeloso – o de reflexo -, e que, por isso, visita, inapelavelmente, como uma decorrência inafastável, a iniquidade dos pais nos filhos (Êxodo, 20, 5), não é o Deus que visitou a Adão e a Eva, na viração da tarde, quando estes achavam-se caídos, e fez a mencionada promessa – perdão por tantas insistentes repetições feitas e ainda por fazer; é ele, o da visita das iniquidades dos pais nos filhos, precisamente, pasmem!, quem, por um agente do mal, agente esse presente no mundo criado como um precipitado do Céu à Terra, é ele – começávamos dizendo – quem viu matarem o animal de cuja pele se serviu para cobrir a nudez do casal… Já o Deus, “Senhor que tudo pode”, é Deus, no aspecto de ter Misericórdia (Êxodo, 20, 6), para com cada caído, por causa de iniquidades dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração dos que o aborrecem. Portanto, não pode ter sido o Deus de amor, “aquele que tudo pode”, o autor da crueldade consistente em matar um animal, um Cordeiro, ali em pleno Jardim de Delícias, onde havia, além de Deus, Adão e Eva, e ofertar a pele do dito animal, como roupa, para cobrir a nudez de quem pecou, pela desobediência. Sim o zeloso, como decorrência – o de reflexo -, é fruto e consequência dos próprios desobedientes, que iniciaram a sequência de iniquidades dos pais nos filhos, até a consumação do século; como é decorrência, também e sobretudo, do anjo caído, perdedor da guerra, no Céu, e que permanece este como um precipitado, na Terra, por ação de Deus, “aquele que tudo pode”, que, em seu infinito e eterno amor, não comportaria punir a ninguém, mesmo que se tratasse de um anjo decaído. No mesmo passo, o amor de Deus, “aquele que tudo pode”, consistente em conceder liberdade no arbítrio, ao homem, torna este homem livre, sim, numa decisão sua, dele homem, para dizer “sim”, para dizer “não”. Nesse homem, que é pó (Gênesis, 2, 7), mas como decorrência do pecado – cujo salário, segundo a Epístola aos Romanos, 6, 23, é a morte -, sobre ele incide essa decorrência do tipo da escolha: obediência, Paraíso, Nirvana, Céu; desobediência, ciclo interminável, mas até a consumação do século, de iniquidade e iniquidades dos pais nos filhos, inevitavelmente visitada pelo caráter zeloso de Deus, como decorrência – insiste-se em dizer – mas o que é Deus de verdade, “aquele que tudo pode” o é, sim, aquele que confere misericórdia até a terceira e quarta geração dos que o aborrecem. Portanto, foi o Deus zeloso, o da decorrência, por meio de agentes, seja o da soberba (Lúcifer), no Céu (Ezequiel, 28, 17), seja o do engano, como falante-serpente, na Terra, quem teria assistido a e teria assistido à morte daquele Cordeiro, nunca o Deus de amor, “aquele que tudo pode”. E aquele Deus zeloso é a parte da epifania de Deus, em a qual, sempre por amor, preferiu o “Senhor que tudo pode” precipitar o seu anjo de luz, decaído, Lúcifer e perdedor da guerra, no Céu; precipitá-lo na Terra (Apocalipse, 12, 9), onde, até que se consuma o século, permanecerá, como vem permanecendo a rodeá-la (Jó, 1, 7), rugindo como um leão (Primeira Epístola de Pedro, 5, 8). Esse lado de decorrência lá no Éden foi inicialmente o lado que assistiu a morte do Cordeiro, eufemisticamente relatada (Gênesis, 3, 21), pois o uso de peles, como roupas, pressupõe a morte de um ser vivo, um Cordeiro, e que, muito tempo depois, enfaticamente, se registra com João, o Batista, em relação ao Nazareno, a correlação com o primeiro Cordeiro sacrificado: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo” (João, 1, 29); que, depois da morte do primeiro Cordeiro, como serpente falante, enganou a Eva e a Adão (Gênesis, 3, 1-6); que não levou em conta a oferta de Caim, como sendo frutos da terra (Gênesis, 4, 3); que levou em conta a oferta de Abel, consistente em primeiros  cordeirinhos e a gordura de ovelhas (Gênesis, 4, 4, parte final); que levou Caim a matar a seu irmão Abel (Gênesis, 4, 8); que matou, por afogamento, em dilúvio, toda a humanidade, menos a Noé, mulher, filhos e noras (Gênesis, 7, 1-5); que promoveu a confusão na linguagem dos homens (Gênesis, 11); que levou Moisés a mandar matar mais de três mil homens a fio de espada (Êxodo 32, 27 e 28); que levou Josué a encurralar vários reis numa gruta e matá-los a todos (Josué, 10, 16-26); que levou Sansão a matar mil filisteus com uma mandíbula de jumento recém-morto (Juízes, 15,15); que também levou Sansão a se suicidar e, com ele, todos os filisteus que se encontravam na casa de festa (Juízes, 16, 28-30); que conversou com o Rei Saul, por meio de uma feiticeira, a feiticeira de En-Dor, passando-se por Samuel, quando este já havia morrido (Primeira Samuel, 28, 3 e seguintes); que exigiu cem, mas Davi entregou duzentos prepúcios de filisteus mortos, em guerra, para obter de Saul o consentimento para se casar com a sua filha Milca (Primeira Samuel, 18, 24-27); que matou, de propósito, a Urias, esposo de Betsabá, grávida de Davi, colocando-o o seu comandante, a mando de Davi, em posição de perigo de morte em batalha, tendo, como teve, morte certa (Segunda Samuel, 11, 1-25); que conduziu os homens contemporâneos de um certo divino Galileu a matá-lo em “bio-morte” violenta de cruz (Evangelhos de Mateus, capítulo 27, de Marcos, capítulo 14, de Lucas, capítulo 22 e de João, capítulo 19); que influiu na conduta intelectiva (nunca intuitiva) de Paulo (vide Epístola aos Hebreus em contraste com o Levítico), para estabelecer o episódio criminoso narrado pelos evangelistas como sendo de uma vicária-morte, por certo, desde muito antes (vários séculos), tendo-o influído um profeta tão propalado (Elias), ao falar acerca de homem das dores, de homem desprezado, de homem moído, de homem sofredor de pisaduras, no Livro do mesmo nome do dito profeta, capítulo 53; que fez instituírem pão e vinho (Mateus, 26, 26-28; Marcos, 14, 22-24); Lucas, 22, 17-19; João, 6, 53-56), no sentido literal, material, sacramental, como sangue e carne de um morto, mesmo que ressurrecto, em espírito, de espírito, por espírito, todos sabem quem tenha sido, na carne e, no espírito, dizendo-se, como era mesmo, “Eu sou, antes que Abraão tivesse sido”(João, 8, 58); Eu, que é o mesmo da expressão “Eu sou aquele que sou”, que falou na montanha santa, de dentro de uma sarça que ardia e se não consumia (Êxodo, 3, 14); Eu, que é o mesmo da expressão “Eu sou o pão da vida” (João, 6, 35); Eu, que é o mesmo da expressão “Eu sou o pão que desceu do Céu” (João, 6, 41); Eu, que é o mesmo da expressão “Eu sou a ressurreição e a vida” (João, 11, 25); Eu, que é o mesmo da expressão “Eu sou o bom pastor” (João, 10, 14); Eu, que é o mesmo da expressão “Eu sou a porta” (João, 10, 9) ; Eu, que é o mesmo da expressão “Eu sou a videira e vós os ramos” (João, 15, 5) etc.. Toda aquela trajetória de eventos, linhas atrás citada, ligada ao mal, com outros e tantos outros exemplos mais que o cronista se dispensa de nominá-los, é do Deus decorrente, natural, sede daquele anjo precipitado à Terra. E toda aquela sequência de mal, decorrente de efetivação inevitável de iniquidades e iniquidades de pais nos filhos, protagonizam-na todos os homens e mulheres, sem exceção, pois todos nascem com a sujeira do pecado, de modo tal que, se o filho sofre dessa decorrência, isto é próprio do caráter desse Deus zeloso, mas lhe não se imputa responsabilidade de mais pecado porventura cometido, tal como asseverado por profecias (Jeremias, 31, 29 e 30 e Ezequiel, 18, 2), de modo que se sobre ele recai iniquidade praticada pelo pai, como decorrência do caráter do Deus de que fala Êxodo 20, 5, – não custa repetir – só responde por mais pecado pela iniquidade praticada propriamente por ele mesmo, o filho, pois a responsabilidade por mais pecados cometidos é individual; a alma que pecar essa morrerá (Ezequiel, 18, 4, parte final). Ora, se já se nasce com o pecado, e se tem como salário do pecado a morte, reafirma essa morte cada vez mais aquele que acrescer pecado àquele original (pecado) de um nascimento. Ante um tal panorama, o bom de tudo, enfim, é saber (ainda bem!) já haver sido preso o anjo decaído, em definitivo, pelo Cristo-Jesus, mediante obediência deste em amor ao Pai, tendo morrido, em espírito, de espírito, por espírito, uma morte, a morte das ilusões deste mundo, vencendo-o, quando ainda lhe pulsavam as energias de um vivo da vida abundante permitida pelo Pai, tendo como porta de início as tentações vencidas no deserto e ponto culminante de consumat est a entrega, no Gtesêmani: “Não seja feita a minha vontade, Pai, mas a tua”. Entretanto… solto ainda continua aquele anjo caído para os que com o Cristo, em Eu-crístico, ainda não comungam o Céu, em espírito, de espírito, por espírito, por vontade exclusiva e necessária “daquele que tudo pode”. E nessa Terra para onde ele terminou (e continua) precipitado (Apocalipse, 12, 9) e os que são de Deus, “daquele que tudo pode” (Primeira Epístola de João, 5, 18 e 19, primeira parte), não se confundem estes com esse mundo todo, que está sob o poder do Maligno (Primeira Epístola de João, 5, 19, parte final) – eis a distinção fundamental, para mostrar o poder do anjo caído e o verdadeiro Poder de espírito, em espírito, por espírito, o de Deus, “daquele que tudo pode” e que é Misericordioso, como Pai, e que é Misericordioso como Filho e que é Misericordioso como Santo Espírito. 

      PODER DE DEUS, que nos venha ele…, não, não é este o formato correto e poderoso de se dizer, assim com o verbo ir no modo subjuntivo de tempo presente, mas na linguagem de Deus, inacessível à carne, “aquele que tudo pode” vem, no Eu (despersonalizado: aquele veiculado na tua carne, leitor, na do vizinho, na do parente, na carne de quem quer que seja, enfim), vem – dizíamos – em espirito, de espírito, por espírito, claro, por vontade exclusiva dele. Deus conosco em espírito, intuído. com a linguagem dele incidente no Eu, por complacente integração, em vice-versa afeição divinal, estática-central-essencial, eterna, infinita. Aliás, além daquela promessa envolvendo calcanhares e cabeça (Gênesis, 3, 15), não se há de olvidar as promessas, constantes em Ezequiel, 36, 26-28 e Ezequiel, 37, 1-10 (leiam-nas todos os dias e meditem-nas), todas feitas por “aquele que tudo pode”. Bem aventurados os olhos que as lêem e infinitizam-se e eternizam-se em espírito, de espírito, por espírito, pela vontade dele, claro!, com as tais promessas deixando de sê-las (promessas) e se tornando, em consequência, o Eu integrado à Divindade, em espírito, de espírito, por espírito. Enquanto isso, o poder que abriga o mal, capaz de cruelmente conformar-se à morte de um Cordeiro, conduziu muitos homens, por ações diretamente humanas, a fazerem de um homem nazareno como um Cordeiro sacrificado; todavia, com a justiça que, enfim, o Poder de Misericórdia, “daquele que tudo pode” reserva na exata medida do santo julgamento que seu Filho nos há de fazer a todos e a cada um dos filhos nascidos de mulher deste mundo, em indimensão de espírito que reside em cada um de nós – santo, beato, filantropo, infiel, facínora, impuro etc., desta e nesta Terra em que temos vida de carne, finita e vergonhosamente fraca (mas é dela de que dispomos e devemos cuidá-la com os recursos próprios e os da Ciência; uma carne de conquistas, de derrotas, de felicidades, de tristezas, de esperanças, de desesperos, de riquezas, de pobrezas, de…, sempre com ele a nos fustigar – Epístola aos Romanos, 7, 19-23; 8, 7) – e onde a influência do anjo caído fez com que se escriturasse o “Buscai” – Mateus, 6, 33 e Lucas, 12, 31 – como preliminar necessária ao “tudo de bom”, constante dos versículos anteriores ao “buscai” dos respectivos capítulos, flagrantemente demonstradores de alimentos de ego, conquanto travestidos de evangélica lição…, porque o “buscai” não há e não pode ser de ato humano nenhum, pois se a “busca” é a do Reino de Deus e sua justiça, esse dito Reino, segundo João, 18, 36, não é deste mundo, então não se pode falar numa “busca” que seja da minha ou da tua vontade, leitor, mas da vontade exclusiva de Deus. E, pior, no consequente do “buscai”, fala, como acréscimo, em coisa, o que só pode se associar ao mal que cada dia representa – Mateus, 6, 34, parte final), ah…, não é dessa carne e de sua fraqueza a coroa de salvação em Cristo-Jesus ou em Jesus-Cristo; essa coroa é em Cristo-Jesus ou em Jesus-Cristo, em espírito, de espírito, por espírito; em espírito, de espírito, por espírito; em espírito, de espírito, por espírito – assim é, assim é, assim é, e assim se deve dizer e se enfatizar, sempre, porque provado em definitivo que o mundo já foi vencido por Cristo (“EU VENCI O MUNDO” – João, 16,33), proclamação essa feita por um ser humano, quando ainda vivo, em espírito, de espírito, por espírito; não em expressão como a em que se diz assim seja, esta que é de flagrante súplica e, portanto, da seara de algo que ainda se busca, no mundo, como uma coisa, e que é própria de poder que não pode tudo…

TERRA DE CÉU

TERRA DE CÉU

(Para iniciados e iniciandos, letras mortas para profanos)

A guerra, no céu, entre os entes celestiais Lúcifer e Miguel, vencida por este, e aquele perdedor sendo precipitado, juntamente com um terço de outros anjos, para a terra do mundo recém-criado mediante fiats por Deus, a guerra, no céu – começávamos assim dizendo – transplantou-se para esta mesma terra originariamente bendita, porém amaldiçoada, em consequência, quer pela só presença do mal precipitado nela e para ela, quer pela desobediência humana, continuando ela (a guerra) mais intrincada ainda aqui, na terra, perante o também celestial Eu em meu mim e perante o Eu celestial em teu ti, leitor, leitora, entre, agora, o Cristo (mesmo que Miguel) e, também o agora não mais Lúcifer, mas diabo, satanás, coisa ruim etc.; a guerra, a despeito de o Cristo, Filho Amado de Deus, numa trajetória de humanidade de uma carne, durante três anos apenas, ter vencido o mundo mal, não a ponto de exterminá-lo, mas, sim, de prendê-lo por um milênio. Esse Filho foi (e continua sendo) no Eu encarnado num famoso nazareno chamado Jesus, suplantando tentações, baseando-se, para tanto, exclusivamente, na palavra sagrada escrita (como já dito) e prosseguindo, pelo lado de carne, em humanidade, num público ministério maravilhoso, salvador, até brutal desfecho de desumanidade. Mas certo é que o Eu, Nele, permanece, infinito, eterno, livre de influências de desumanidade, até final escatológico. E como assim a exclusiva vontade divina o quis e o fez para o Eu, Nele, bem certo é que já o fez, igualmente, para o Eu no meu mim, pouco importando que o mal nele mim encarnado siga, ou não, confissões religiosas, quaisquer que sejam elas. Então, aquele mal preso perante o Eu no si Dele é tanto quanto também preso perante o Eu no meu mim e no de todos os homens e mulheres de todos os tempos, indistintamente, sem exceção, e de graça! E a guerra, enfim, não há como prosperar, mesmo que a desumanidade consiga abrir ao mal suas portas de prisões, haja vista vivermos já uma terra de céu.

SUFOCANTE FEMINICÍDIO

 

SUFOCANTE FEMINICÍDIO

Qual fenômeno cruel deriva de criminalizar masculinos que afrontem vidas femininas, por simplesmente sê-las? A palavra homicídio é, em última análise, abrangente para o masculino e o feminino. No ambiente protetivo – o útero – distinção nenhuma sequer se insinua. A designação, em vida extra-uterina, se perfaz mediante uma unidade de nome ante medonha distinção de homem-somente-homem e de mulher-somente-mulher – quando é certo que não há masculino sem feminino, e vice-versa (Gênesis, Cap. 1, versículo 27, parte final). É inegável uma quase-harmonia e um quase-equilíbrio geracionais: masculino em feminino, feminino em masculino, sempre; jamais um comando, à guisa de proteção (feminicídio), ante justificativa (falsa) de quem necessitada de mais proteção, devido a uma fortaleza máscula, em viver conjugal. É perpetuar um dado cruel a busca de uma proteção só pelo fato do ser mulher. Dê-se-lhe o nome de sempre (homicídio), em última análise, como não pode deixar de ser. O novel tratamento tem recrudescido incidências, prejudicando, destarte, o quase-equilíbrio e a quase harmonia, uterinos e extra-uterinos, de masculino com feminino, e vice-versa – não custa assim situar, mais uma vez, face a um fundo de origem, tal como o alhures registrado. Essa tal novidade tem trazido, para o masculino, uma onda de revolta que torna mais vigorosas as incidências criminosas. As proteções designativas, intra e extra-uterinas, guardam bem mais o quase-equilíbrio e a quase-harmonia naturais do que as risíveis proteções e designações decorrentes de uma certa determinação da lei dos homens, por mais que estas se pretendam bem-intencionadas.

Cinquenta anos…com ganhos

CINQUENTA  ANOS…COM GANHOS

(de uma formatura)

Cinquenta anos… com ganhos, contados, um a um; do um ao cinquenta, e param? Param, sim, pois nesses ganhos se cansam os que os fazem incessantemente prosseguir, por si. Vou contar novamente o começo que conta de um a outro cinquenta. Outro um e outro cinquenta. Outros, indefinidamente outros. E me dou conta de que eles se repetem no futuro e no passado, como de um porvir pretérito de quem quer ir e de quem quer voltar para contar e recontar as estações de um aqui vacilante que nos faz num agora de sempre; agora de sempre compartilhado em bronze de corações apartados e apertados de alegrias e de conquistas; tantas e tamanhas conquistas de um grau que percorre aquele curso existido de cinquenta anos e segue e até retorna. Sim, não antes, no perpétuo do tempo cravado, fixado (reparando semblantes mostrando os mostrados dentes de um sorriso invicto), mas sobretudo num depois alongado, que olha o cumprimento exato de um cuidado, neste último caso, os tais ganhos já não os há. Então, não se sucedem reticências em períodos novos de tantos outros que chegarão. Uma ascendência e uma descendência afirmam-se orgulhosas. Tem o presente de um passado de que tanto se gloria. E nós já não teremos mãos postas em palmas calorosas, mas…, voltando aos ganhos, o ano cinquenta paralisa-se no um de seu início, erigindo-se em torres de satisfações de novas vidas concretas a serem realizadas – disto nos cumprindo orgulhar. Mas o tempo já nos é bastante tarde para isso. Desenganados, como bandeiras arriadas, mastro, porém, com ela sempre à meia verga sem mais alevantadas esperanças – eis como apenas aparecemos parecer. E os ganhos se flagram em facilitadas sensações cumpridas e supridas de deveres. O dever de ser grato. E aliviado, sem papéis mais a sentir cortinas se abrindo. A vida sempre prosseguindo e os vivos dela (vivos da vida) não devem se relembrar num total de cinquenta, pois basta o um de um novo início para que se repita tanto e inevitavelmente o bom ânimo de quantos a quem servimos de exemplo em tantas futuras e pretéritas gerações. Então, fico aqui, assim, embevecido, no fecho monumental destas considerações, preferindo os ganhos algumas vezes repetidos, para, com eles, baixar o pano das melhores afirmações de um viver de tantas salutares conquistas. Tenho dito.

ANDAÍ

 


ANDAÍ

l

Ainda andais, Andaí

Andais aí, Andaí

Andaí, andais aí

Ai, ai, andais

ainda andais,

Andaí.

ll

Não vos entregueis

Muito ainda andareis

Andaí, o bem vos fez

Andais, seguis, podeis

Ser do sempre sereis.

III

Andaí segue andando

Tudo dando de si

Confessa no seu andar

Que anda aí

É próprio impulso

De quem?

De Andaí…