NÃO SE CANSE COM DEUS

NÃO SE CANSE COM DEUS

(Para iniciados e iniciandos, letras mortas para profanos)

Fazer, por e pelos humanos, conduz ao uso de mãos, porém a luz seria (e foi) um, dentre outros fazeres (fiat lux), sem o uso de mãos, da parte de quem-não-é-parte-nem-é-quem, pois é puríssima inex-istência num céu de anjos, de arcanjos, de querubins e de serafins, todos esses com liberdade fundada em amor daquele mesmo quem-que-não-é-parte-nem-é-quem. Liberdade e amor são vetores a permitir presença de um arbítrio livre para-o-que-der e para-o-que-vier. E o-que-deu e o-que-veio, ainda naquele céu?, o Mal, pelo anjo Lúcifer, assistente de quem-não-é-parte-nem-é-quem, envolto o tal anjo no comércio do esplendor de sua beleza, pretensioso, querendo igualar-se com o quem-que-não-é-parte-nem-é-quem, provocando guerra no céu, que a perdeu, enfim. A liberdade e o amor do quem-que-não-é-parte-nem-é-quem, ante essência de amor, não poderia cobrar, como deveras não cobrou, despojo algum; muito ao contrário, precipitou aquele anjo e um terço de outros que o seguia; precipitou-os para o que resultou de sua epifania começada com aquele primeiro fazer, o fazer de luz. De sorte que o Mal, do céu, se transpôs para a terra do mundo então criado. Ainda neste hoje do último teclar neste tablet, o dito Mal, a despeito de preso pelo filho unigênito do quem-que-não-é-parte-nem-é-quem em relação ao Eu em Jesus de Nazaré, persiste no mesmo mundo para o qual foram precipitados aqueles anjos, ou seja, Lúcifer e mais um terço de outros anjos decaídos (vide Jó, 1, 7, Romanos, 7, 14-25, 1ª Pedro, 5, 8, 1ª João, 5, 19, parte final). Esse Mal faz, continua ainda fazendo, agora com mãos, conquanto preso, em relação ao unigênito do quem-que-não-é-parte-nem-é-quem operado no Eu em Jesus de Nazaré. Para o Eu no meu mim e para o Eu no teu ti, leitor, leitora, ele ri com o uso de vestes de representação social, seja de um anás, seja com vestes de representação social de um caifaz, seja com vestes de representação social de um herodes, seja com vestes de representação social de um pilatos, seja, ainda, com vestes de representação social de um pedro (que nega), seja ainda com vestes de representação social de um judas (que trai), seja ainda com vestes de representação social de um joão, de um tiago, de um paulo (enquanto trovejem pretensões pessoais), tomados tais personagens não somente no lapso temporal de suas históricas existências, mas na persistência de uma presença de Mal neles. E haja mãos a fazer o que não mais faz quem, sem mãos, tanto se epifanizou por meio de fiats… Pois, já quanto ao fiat dos que têm mãos e que só fazem, necessariamente, com elas e por elas, todos, sem exceção, somos porcos ex-istenciais de uma lama fétida, desde quando, na delícia de um jardim, um casal deles, únicos bem protegidos, imortais, por más influências em suas carnes, o Eu neles residente perdeu a proteção, tornando-se mortal, passando a ex-istir na mesma carne, fora do ambiente de proteção paradisíaca, o Éden, ou seja, passando a viver no imenso derredor do dito Éden, que é o mundo todo. A liberdade e o amor do quem-que-não-é-parte-nem-é-quem, propícia a um arbítrio libérrimo, fizeram-se assim consentidos, de forma confrontada entre dois advérbios de modo, em construções frasais díspares: “certamente morrerás”, da parte de quem-nem-parte-é-nem-quem-é, e “certamente não morrerás”, da parte daqueles de mãos exageradamente realizadoras. Como bem visto, então, fazeres antagônicos! Mas, importa que se prossiga no texto para melhor esclarecer essa dicotomia de fazeres díspares, do que se há de ver como bom e como ruim. O quem-que-não-é-parte-nem-é-quem com o bom em tudo quanto por ele criado precisaria dessa manifestação, dessa epifania. E para quê? O céu dele é dos anjos, dos arcanjos, dos querubins, dos serafins e de outras entidades que assim ou mais possam ser, predecessores da terra e do mundo, com estes não se confundindo, no estado celeste. Contudo, no caso de Lúcifer e de um terço de outros anjos, a epifania, somada a uma precipitação deles, os tornou ex-istidos, no mundo, sem perderem a condição de entes do céu. Então, esses entes do céu não estiveram ab início, na terra. Só depois daquela guerra referida em Apocalipse, 12, 7, aí sim, passaram os anjos perdedores para a terra do mundo que fora criado mediante fiats. Depois daquela guerra, o amor de quem-não-é-parte-nem-é-quem adicionou a providência da precipitação, uma espécie de freio de arrumação, como lançar alguém à própria sorte, para viver a dificuldade de sua própria liberdade de viver uma desejada identidade com quem-não-é-parte-nem-é-quem. Assim se possibilitou que anjos caídos dominassem o mundo todo, como bem se infere das citações bíblicas alhures anotadas, quais sejam: Jó, 1, 7, Romanos, 7, 14-25, 1ª Pedro, 5, 8 e 1ª João, 5, 19, parte final. Recomenda-se lê-las. Recomenda-se lê-las. Por isso mesmo que alhures também se disse dos anás e dos caifaz, dos herodes e dos pilatos, dos pedros, dos judas, dos joões, dos tiagos, dos paulos, naquelas circunstâncias mencionadas. É que os anás e os caifaz, entre dominantes e dominados, se atrelam àquela ânsia de egos desejosos da criação e do aprisionamento de um quem-que-não-seja-parte-nem-seja-quem-somente-deles; por sua vez, os herodes e os pilatos, também sob ânsias de egos e entre dominantes e dominados, em distintas esferas, na civil fazendo imperar cobranças, a contragosto, de salgados impostos, em tempos ditos de paz e, na outra, na militar, com armas que matam, em tempos ditos de guerra. Este é o cenário dos porcos, como já referenciados antes, reféns do Mal, atolados na soberba, na avareza, na luxúria, na ira, na gula, na inveja, na preguiça, indissociáveis de um natural que os torna assim, nas suas carnes. Resulta-lhes, porém, um processo de refinamento civilizatório pelo contrato social que, ainda assim, não afasta nem anula a condição de fundo ilhada do Mal, numa convivência de suporte, embora estourando, aqui, acolá, tensões perversas, piores do que aquela da guerra no céu. Em meio a tudo isso, quem-não-é-parte-nem-é-quem, criando o homem, homem e mulher os criou com o imperativo do crescer, multiplicar e de dominar (Gênesis, Capítulo 1, versículos 26 a 31)) e, lá adiante, no mesmo Gênesis, no Capítulo 2, versículos 7, 8 e 15), providenciou o ambiente de proteção, num jardim de delícias, o Éden, com o Eu, em Adão e em Eva, sabido que o próprio jardim e o próprio barro de que feitos eles, se não plenamente livres do Mal, pelo menos guardavam-se bem diferentes daquela primeira iniciativa. Esta era pois sujeita diretamente ao Mal, porém, com uma iniciativa de proteção, quem-não-é parte-nem-é-quem, sempre pelo motivo do amor, essência de essência, não devia cuidar de amarras ao Mal. Então, entra em ação a astúcia. O Mal se travestiu de serpente que falava e se processaram ilimitadas influências maléficas àquele casal. Quem-não-é-parte-nem-é-quem expulsou-o do ambiente de proteção, contudo, no seu lugar, de pronto, criou uma determinação: a de pôr uma inimizade entre a mulher e os seus descendentes e o Mal e os descendentes deste (Gênesis, 3, 15). Já então não havia o ambiente protetivo e o casal passou a viver no imenso derredor do jardim primevo, da mesma forma de vida natural daqueles inicialmente criados, ou seja, com a finalidade de crescer, multiplicar e de dominar (Gênesis, 1, 16-21). Porém, somente o casal e os filhos que viria a ter, a saber, Caim, Abel e Set, a todos estes e sua descendência valendo-lhes a determinação que substituiu a delícia. De notar que, após o episódio do primeiro homicídio, causado por uma questão de culto a quem-não-é-parte-nem-é-quem, Caim passou a errar pelo mundo, até se deparar com a cidade de Nod, ali casando. Sua mulher não estava debaixo da determinação. Set foi o terceiro filho do casal expulso da proteção que sucumbiu à astúcia. Também este casou com mulher estranha à determinação. Ora, deixemos de lado mesmo a delícia, que não funcionou ante a astúcia, como já se disse, pois, agora, no seu lugar, a determinação não conduz a enganos. Ela, em verdade, não se estende à totalidade das criaturas descendentes naturais daquela criação de que primeiro tratou o livro de Gênesis. Os que estiveram sob a deliciosa proteção, que não deixam de ser naturais como os demais, perderam-na. Contudo, eles e seus descendentes, passaram ao alvo da determinação. Sendo assim, Adão, Eva, Abel, Caim, Set e seus descendentes, Noé, seus filhos, Sem, Cam e Jafté, idem. Não a sua mulher e noras.  Até os dias presentes e até a consumação dos séculos, a estes, só a estes, só aos desta linhagem a determinação os protege. O filho de quem-não-é-parte-nem-é-quem usa de arma poderosa que fere cabeça, enquanto o Mal e sua descendência ficaram limitados a somente poderem ferir até na altura do calcanhar. Esta, uma alegoria para demonstrar que, apesar de livre, qual dono do mundo, o Mal se vê limitado. Retomamos, agora, a linhagem, para deixar claro que, em aparente e inegável descendência sanguínea, esta não assume, porém, protagonismo central-estático-essencial, com o quem-que-não-é-parte-nem-quem-é. É que não é uma sucessão de gerações em linhagem sanguínea, mas o poder do conhecer intuitivo em respostas de quem-não-é-parte-nem-quem-é, ou seja, é o Eu livre dos assédios do Mal, por uma intervenção do Filho de quem-parte-não-é-nem-quem-é, aí, sim, pela sua única e exclusiva vontade, independente de súplicas de carne onde residido esse Eu de aparente diversidade, de Eu + Eu + Eu = quem-parte-não-é-nem-quem-é que se opera o poder de vencer o mundo, mesmo que a residência do Mal passe por tantas e tamanhas aflições, naquelas roupas de sociais representações de que já se falou e muito bem se registrou. Nesse panorama, alcançam a proteção ao Eu não somente quem sob a determinação, mas igualmente os vestidos de anás, de caifaz, de herodes, de pilatos, de pedros, de judas, de joões, de tiagos, de paulos, mesmo que supliquem ou não por salvações. É quando os fazeres se tornam soberanos, de direção única de quem-não-é-parte-nem-é-quem, ainda que enormidade de tempo se distancie de um final escatológico…

MILAGRE COISA NENHUMA

MILAGRE COISA NENHUMA

Distorcer, porque o real foi torcido. Sim, a multiplicação de pães e peixes é mesmo o ponto fulcral a ser distorcido. A matéria que se diz multiplicada, na realidade, não sofreu alteração, senão no aspecto de quem a possuía, de quem a trazia consigo; num momento, ela era de cada um, individualmente. Cada um como dono de seu. Todos só pensando em si. Jesus inverte essa lógica. A matéria há de ser coletiva; racionalizada. A turba, desorganizada, ao comando de Jesus, se organizou a partir de uma simples ordem. Todos deviam se assentar, sobre a relva que ali havia. Assim, organizados em grupos. E se o texto bíblico distorce para que a propriedade de cinco pães e de dois peixes fosse apenas de e para um dos presentes, torna-se compreensível que cada um tinha alguma coisa de si. Então, o que a desorganização refletia a escassez, a organização elevava a um nível coletivo confortável, tanto quanto o que se tinha no seio dos judeus e dos romanos em suas organizações, mesmo em se tratando uns, como dominantes, e outros, como dominados. O signo religioso de quem lhe favorecia a condição milagrosa torceu a verdade do fato: não foi milagre o que o texto narrou. Apenas a distorção vem lhe rendendo favores no curso do tempo e das tantas circunstâncias.

UM FAZER GRATUITO

UM FAZER GRATUITO

Renuncias a satanás? – pergunta quem se proclama com uma divina autoridade, ao que, quem é perguntado, responde: Sim, renuncio. Ora, enganam-se ambos. É que olvidam, integralmente, o que diz Paulo, in Romanos, 7, 14-25. Um Filho (unigênito) já se sacrificou, pois, por amor, assim o quis o Pai. Por isso, não cabe a tal pergunta nem a tal resposta. Esse Filho é quem faz, não por mim nem por ti, leitor. Como Ele fez para com o Eu em Jesus de Nazaré, assim mesmo ao Eu em meu mim como ao Eu em teu ti, leitor, Ele, só Ele o faz; e faz com arma que fere a cabeça daquele Mal citado por Paulo, enquanto o tal Mal, com arma que só pode fazer ferindo até o calcanhar, torna-se preso, durante um milênio, até que se consumam os séculos. Então, incabíveis aquela pergunta e  aquela resposta, insiste-se em dizer. Quem quer que pergunte e quem quer que responda não consegue se largar, por vontade sua (pobre), daquela maldita condição descrita por Paulo. Aquele Mal – um ente celeste -, tornou-se ex-istido pela vontade de amor de Deus, após a guerra no Céu de que fala o Livro do Apocalipse, pois a sua precipitação ao mundo o faz presente no mundo todo. O amor de Deus não aproveitaria o estado de sucumbência dele (Mal) para cobrança de despojos. Quem faz em favor do Eu é o Filho. E quer o homem creia assim, quer não, Ele faz; E faz de graça!

QUANDO MORRER NÃO ME FARÁ MORRIDO


QUANDO MORRER NÃO ME FARÁ MORRIDO

 

 

Quando morrer não me fará morrido,

é porque não fui sempre no sou;

Quando morrer não me fará morrido,

permaneço atual nos olhos de leitores;

Quando morrer não me fará morrido,

perdura o repicar dos sinos de minha alegria;

Quando morrer não me fará morrido,

ouvintes me terão presentes em sonoras vozes de gravações;

Quando morrer não me fará morrido,

escritos de internet podem ser o meu ainda estou aqui;

Quando morrer não me fará morrido,

a rotina de presença na roda de insubstituíveis modos me cumprimenta todos os dias;

Quando morrer não me fará morrido,

é certeza de vida de vivo que vive no outro igualmente vivo;

Quando morrer não me fará morrido,

se acende a luz do circo nas tantas palmas de uma ausência;

Quando morrer não me fará morrido,

é quando deixa o tempo sem medida de quando;

Quando morrer não me fará morrido,

digito o prazer de continuar estes toques em tantos corações;

Quando morrer não me fará morrido.