Cinquenta anos…com ganhos

CINQUENTA  ANOS…COM GANHOS

(de uma formatura)

Cinquenta anos… com ganhos, contados, um a um; do um ao cinquenta, e param? Param, sim, pois nesses ganhos se cansam os que os fazem incessantemente prosseguir, por si. Vou contar novamente o começo que conta de um a outro cinquenta. Outro um e outro cinquenta. Outros, indefinidamente outros. E me dou conta de que eles se repetem no futuro e no passado, como de um porvir pretérito de quem quer ir e de quem quer voltar para contar e recontar as estações de um aqui vacilante que nos faz num agora de sempre; agora de sempre compartilhado em bronze de corações apartados e apertados de alegrias e de conquistas; tantas e tamanhas conquistas de um grau que percorre aquele curso existido de cinquenta anos e segue e até retorna. Sim, não antes, no perpétuo do tempo cravado, fixado (reparando semblantes mostrando os mostrados dentes de um sorriso invicto), mas sobretudo num depois alongado, que olha o cumprimento exato de um cuidado, neste último caso, os tais ganhos já não os há. Então, não se sucedem reticências em períodos novos de tantos outros que chegarão. Uma ascendência e uma descendência afirmam-se orgulhosas. Tem o presente de um passado de que tanto se gloria. E nós já não teremos mãos postas em palmas calorosas, mas…, voltando aos ganhos, o ano cinquenta paralisa-se no um de seu início, erigindo-se em torres de satisfações de novas vidas concretas a serem realizadas – disto nos cumprindo orgulhar. Mas o tempo já nos é bastante tarde para isso. Desenganados, como bandeiras arriadas, mastro, porém, com ela sempre à meia verga sem mais alevantadas esperanças – eis como apenas aparecemos parecer. E os ganhos se flagram em facilitadas sensações cumpridas e supridas de deveres. O dever de ser grato. E aliviado, sem papéis mais a sentir cortinas se abrindo. A vida sempre prosseguindo e os vivos dela (vivos da vida) não devem se relembrar num total de cinquenta, pois basta o um de um novo início para que se repita tanto e inevitavelmente o bom ânimo de quantos a quem servimos de exemplo em tantas futuras e pretéritas gerações. Então, fico aqui, assim, embevecido, no fecho monumental destas considerações, preferindo os ganhos algumas vezes repetidos, para, com eles, baixar o pano das melhores afirmações de um viver de tantas salutares conquistas. Tenho dito.